Estudo da Coppe/UFRJ propõe conexão entre Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí; projeto ainda depende de novas etapas para avançar
Um estudo apresentado nesta terça-feira (15), na Câmara Municipal do Rio, aponta que a implantação da Linha 3 do Metrô poderia reduzir de aproximadamente 75 para 11 minutos o deslocamento entre Icaraí, em Niterói, e o Aeroporto Santos Dumont. A diminuição projetada para esse trajeto é de 85%.
Os dados fazem parte do Projeto Prisma-RJ, desenvolvido pela Coppe/UFRJ. A proposta prevê uma linha com cerca de 50 quilômetros e 29 estações, conectando o Centro do Rio a Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, com passagem pela Baía de Guanabara.
O debate foi proposto pelo vereador Flávio Valle (PSD), presidente da Comissão de Turismo, com apoio do presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD). Vereadores, autoridades municipais e pesquisadores participaram do encontro.
Niterói e São Gonçalo concentram 340 mil viagens diárias
Segundo os dados apresentados, aproximadamente 340 mil viagens são realizadas diariamente entre Niterói e São Gonçalo. Atualmente, a maior parte desses deslocamentos ocorre por ônibus e vans.
O coordenador-geral do Projeto Prisma-RJ, professor Rômulo Orrico, destacou que a Linha 3 é discutida há mais de 50 anos e permanece como uma das principais demandas de mobilidade da região leste metropolitana.
A equipe da Coppe/UFRJ, formada por quase 50 pesquisadores, avaliou oito traçados propostos anteriormente. A análise considerou fatores como concentração populacional, oferta de empregos, renda, matrículas escolares, segurança pública e limitações ambientais.
De acordo com o estudo, um traçado mais eficiente poderia aumentar de 92 mil para 182 mil o número de moradores atendidos nas áreas próximas às estações, crescimento de 98%. O acesso a matrículas escolares também poderia passar de 23 mil para 48 mil.
Projeto prevê integração com VLT e MUVI
Além do trajeto entre Icaraí e o Aeroporto Santos Dumont, o estudo apresentou projeções para outros deslocamentos. A viagem entre o Centro de São Gonçalo e o campus da UFF no Gragoatá poderia cair de 50 para 33 minutos. Entre Alcântara e Niterói, o tempo estimado passaria de 55 para 37 minutos.
A proposta também considera a integração da Linha 3 com o VLT de Niterói e o MUVI de São Gonçalo. O planejamento prevê conexões físicas, tarifárias e operacionais entre os diferentes meios de transporte.
O secretário municipal de Transportes do Rio, Jorge Arraes, afirmou durante o debate que a construção representa um desafio relevante de engenharia, mas pode ser executada. Ele também defendeu a integração com os demais sistemas de mobilidade da Região Metropolitana.
Para o vereador Flávio Valle, a redução do tempo de viagem pode estimular a população a trocar o transporte individual pelo coletivo, além de melhorar o acesso a empregos, serviços públicos e instituições de ensino.
Linha 3 ainda não tem obras autorizadas
Apesar das projeções apresentadas, a Linha 3 ainda não pode ser considerada uma obra aprovada ou prestes a começar. O projeto deverá passar por novas etapas técnicas, incluindo a definição do conceito definitivo, pesquisas com a população, estimativas de demanda e receita e elaboração do modelo de contratação.
A implantação também dependerá das decisões dos órgãos responsáveis pelo sistema metroviário estadual, além da definição dos recursos necessários para executar a obra.
A última expansão do metrô do Rio ocorreu em 2016, com a inauguração da Linha 4 para os Jogos Olímpicos. Atualmente, a rede possui cerca de 57 quilômetros de extensão e 41 estações.
Fonte: Câmara Municipal do Rio, Projeto Prisma-RJ e Coppe/UFRJ.
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