Município aparece com o segundo maior número do estado do Rio, atrás apenas da capital; dados reforçam cobrança por políticas de acolhimento, moradia e reinserção social

Niterói possui 1.015 pessoas em situação de rua registradas no Cadastro Único para Programas Sociais, o CadÚnico. Os dados são referentes a maio de 2026 e colocam o município na segunda posição entre as cidades do estado do Rio de Janeiro, atrás somente da capital.

A cidade do Rio reúne 22.352 registros. Em seguida aparecem Niterói, com 1.015, Duque de Caxias, com 977, Nova Iguaçu, com 727, e Volta Redonda, com 488.

São Gonçalo possui 484 pessoas cadastradas nessa condição. Maricá aparece com 471, Macaé com 402, Cabo Frio com 333 e Petrópolis com 305.

Em todo o estado, 35.406 pessoas em situação de rua estavam inscritas no CadÚnico. O Rio de Janeiro aparece com o segundo maior número do país, atrás de São Paulo, que contabilizava 159.290 registros.

No Brasil, eram 388.855 pessoas cadastradas nessa condição em maio.

Número não representa necessariamente todas as pessoas nas ruas

Os dados do CadÚnico devem ser interpretados com cautela. O levantamento contabiliza pessoas cadastradas como estando em situação de rua, mas não representa necessariamente o número exato de pessoas que permanecem atualmente nos espaços públicos de cada município.

Uma pessoa pode estar cadastrada em Niterói e ter se deslocado para outra cidade. Também podem existir pessoas vivendo nas ruas que ainda não foram incluídas ou não atualizaram seus dados no sistema.

Apesar dessas limitações, o CadÚnico é uma importante ferramenta para o planejamento de políticas públicas, porque permite identificar pessoas em situação de vulnerabilidade e facilitar o acesso a benefícios, serviços de saúde, assistência social, documentação, qualificação profissional e programas habitacionais.

Niterói atrás apenas da capital

A posição de Niterói chama atenção por superar municípios com populações maiores, como Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São Gonçalo.

O cenário é percebido diariamente em diferentes pontos da cidade, principalmente no Centro e em bairros próximos. Moradores e comerciantes têm relatado aumento da presença de pessoas dormindo em calçadas, praças, marquises e áreas próximas a terminais de transporte.

A questão exige atuação integrada. Além do acolhimento emergencial, são necessárias políticas relacionadas à saúde mental, tratamento da dependência química, moradia, geração de renda, reconstrução de vínculos familiares e emissão de documentos.

Especialistas também destacam que a população em situação de rua não forma um grupo único. Cada pessoa possui uma trajetória diferente, que pode envolver desemprego, pobreza extrema, problemas familiares, transtornos mentais, dependência de álcool e outras drogas ou dificuldades de acesso à moradia.

Município mantém o Programa Recomeço

A Prefeitura de Niterói lançou, em agosto de 2025, o Programa Recomeço, voltado ao acolhimento e à reinserção social da população em situação de rua.

O programa reúne ações de assistência social, saúde, educação, habitação, trabalho e geração de renda. O Centro Integrado Multidisciplinar funciona como uma das principais estruturas de atendimento.

Segundo dados divulgados pela Prefeitura, o Recomeço encerrou 2025 com mais de 27 mil atendimentos. Esse número corresponde ao total de serviços prestados e não necessariamente à quantidade de pessoas diferentes atendidas, já que um mesmo usuário pode receber acompanhamento diversas vezes.

Em abril de 2026, o município informou ter realizado 300 recambiamentos em seis meses. A medida consiste em ajudar pessoas que desejam retornar ao município de origem ou reencontrar familiares, desde que exista confirmação do vínculo e disponibilidade para recebê-las.

Lei prevê atendimento sem discriminação

A Lei Estadual 9.302, de 2021, instituiu a Política Estadual para a População em Situação de Rua.

A legislação determina a articulação entre Estado, municípios e sociedade civil. Também prevê acesso a saúde, educação, assistência social, moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, trabalho e renda.

A norma estabelece que o atendimento deve combater a discriminação, os tratamentos vexatórios e os estigmas relacionados à condição econômica, social, étnico-racial ou de saúde.

Moradores cobram resultados

Apesar das iniciativas anunciadas pelo poder público, moradores e comerciantes continuam cobrando resultados mais visíveis. As reclamações envolvem ocupação prolongada de calçadas, acúmulo de objetos, falta de higiene, consumo de drogas em áreas públicas e sensação de insegurança.

O enfrentamento do problema, entretanto, não pode se limitar à retirada das pessoas de determinados locais. Ações de ordenamento precisam ser acompanhadas de abordagem social, acolhimento adequado e alternativas concretas para que essas pessoas consigam reconstruir suas vidas.

O Niterói Agora solicitará à Prefeitura informações atualizadas sobre a capacidade dos abrigos, quantidade de pessoas acolhidas, vagas disponíveis, resultados do Programa Recomeço e medidas previstas diante dos 1.015 registros existentes no CadÚnico.

O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal.

Fonte: Cadastro Único, legislação estadual e informações públicas da Prefeitura de Niterói.

Niterói Agora acompanha o tema e continuará cobrando respostas e ações efetivas para a cidade.

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