Coordenador da campanha presidencial no Rio afirma que não participa das decisões nacionais e considera ato com artistas uma iniciativa voltada a eleitores já próximos do PT
O prefeito de Maricá e coordenador da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado do Rio, Washington Quaquá, criticou publicamente a estratégia eleitoral adotada pelo partido nesta reta final antes do primeiro turno.
Em vídeo publicado no Instagram, Quaquá afirmou que um ato de campanha previsto para reunir Lula e artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia, na Fundição Progresso, tem importância cultural, mas pouco potencial para conquistar novos eleitores.
Na avaliação do prefeito, encontros com personalidades que historicamente apoiam Lula representam uma forma de “pregar para convertidos”, por concentrarem pessoas que já possuem identificação com o presidente e com o PT.
Coordenador reclama de falta de participação
Quaquá também declarou que está afastado das principais decisões tomadas pela coordenação nacional. Segundo ele, apesar de ter sido escolhido para coordenar a campanha no Rio, não existe uma interlocução efetiva com os responsáveis pela estratégia nacional.
O prefeito afirmou que vem percorrendo diferentes bairros e municípios, acompanhando pesquisas e buscando compreender o comportamento do eleitor fluminense. Para Quaquá, esse conhecimento deveria ser considerado na definição das agendas de Lula no estado.
Além de comandar a Prefeitura de Maricá, Quaquá ocupa uma das vice-presidências nacionais do PT e participa das articulações eleitorais do partido no Rio de Janeiro.
Aproximação com evangélicos é defendida
Entre as mudanças sugeridas está uma aproximação maior com o eleitorado evangélico. Quaquá defendeu a realização de encontros entre Lula e representantes de igrejas para apresentar ações adotadas durante os governos do petista.
O prefeito citou iniciativas relacionadas à Marcha para Jesus, ao Dia Nacional do Evangélico e à imunidade tributária dos templos religiosos. As declarações refletem a estratégia defendida por Quaquá e integram a disputa política pelo voto desse segmento.
O coordenador já vinha articulando a realização de um ato de campanha com lideranças evangélicas em São Gonçalo. A agenda também poderia abordar investimentos no antigo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e a recuperação da indústria naval em Niterói e São Gonçalo.
Segurança pública também deve entrar na campanha
Quaquá defendeu ainda que Lula converse diretamente com policiais e integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Bope.
Na avaliação do prefeito, a campanha precisa apresentar propostas mais firmes para enfrentar a violência e a ocupação de territórios por organizações criminosas no Estado do Rio.
Durante o vídeo, Quaquá também atacou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). As declarações mostram divergências internas sobre os caminhos adotados pela campanha de Lula no Rio e ampliam a pressão por mudanças na estratégia às vésperas da votação.
Até o momento, a coordenação nacional da campanha de Lula não apresentou resposta pública às críticas feitas pelo prefeito de Maricá.
Fonte: Vídeo publicado por Washington Quaquá no Instagram e informações divulgadas pela imprensa.
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