Ministério da Saúde alerta que o pernilongo do gênero Culex pode se reproduzir em ambientes com água poluída e matéria orgânica
A confirmação de casos de Febre do Nilo Ocidental no Brasil reforça a necessidade de atenção aos locais que favorecem a reprodução de mosquitos. Segundo o Ministério da Saúde, o vírus é transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas.
Diferentemente do mosquito da dengue, que costuma se reproduzir em recipientes com água parada, o Culex também pode colocar seus ovos em ambientes com água poluída e grande quantidade de matéria orgânica.
Fossas mal conservadas, valas, canais, córregos, rios e lagoas poluídas podem favorecer a reprodução desses mosquitos.
Até o momento, não existe confirmação pública de casos de Febre do Nilo Ocidental em Niterói. A presença de pernilongos ou de água poluída também não significa que o vírus esteja circulando na cidade. Para ocorrer a transmissão, o mosquito precisa estar infectado.
Como o mosquito transmite a doença
Algumas aves silvestres são hospedeiras naturais do vírus. O mosquito pode se infectar ao picar uma ave contaminada e transmitir posteriormente a doença para seres humanos, cavalos e outros mamíferos.
Humanos e cavalos são considerados hospedeiros acidentais. A doença não é transmitida normalmente pelo contato entre pessoas.
Cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas. Quando aparecem, os sinais mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, náuseas, vômitos e manchas na pele.
Aproximadamente um em cada 150 infectados pode desenvolver complicações neurológicas graves, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.
Prevenção também depende do saneamento
O Ministério da Saúde destaca que o combate ao mosquito não depende apenas dos cuidados dentro das residências. Medidas de saneamento, limpeza urbana e manutenção de rios, canais, valas e sistemas de drenagem também são importantes.
Entre as ações recomendadas estão:
- Eliminar recipientes que possam acumular água;
- Manter caixas-d’água e reservatórios fechados;
- Não jogar lixo em ruas, terrenos, valas e rios;
- Limpar calhas e áreas externas;
- Manter fossas e redes de esgoto em condições adequadas;
- Usar telas em portas e janelas;
- Aplicar repelente;
- Evitar exposição aos mosquitos no amanhecer e no entardecer.
O Ministério também orienta que o controle químico dos mosquitos adultos seja reservado para situações de surto. A prevenção permanente deve priorizar a retirada dos criadouros, o manejo ambiental e a melhoria do saneamento.
Moradores podem denunciar problemas
Em Niterói, moradores que identificarem esgoto a céu aberto, valas obstruídas, acúmulo de lixo ou pontos permanentes de água parada devem registrar a situação nos canais oficiais da Prefeitura.
Além de favorecer a presença de mosquitos, esses problemas podem provocar mau cheiro, contaminação ambiental, alagamentos e riscos à saúde da população.
O poder público deve identificar os locais mais vulneráveis, realizar a limpeza, combater os criadouros e acompanhar possíveis ocorrências envolvendo aves, cavalos e seres humanos.
Animais mortos não devem ser tocados
O adoecimento ou a morte de aves silvestres e cavalos com sintomas neurológicos devem ser comunicados às autoridades de saúde. A população deve evitar tocar ou recolher esses animais sem orientação.
A ocorrência pode ser registrada no aplicativo SISS-Geo, que encaminha as informações para as autoridades responsáveis pela vigilância em saúde.
Não há motivo para pânico. A orientação é manter os cuidados contra os mosquitos e cobrar providências quando houver problemas de saneamento, água poluída ou descarte irregular de lixo.
Fonte: Ministério da Saúde
Niterói Agora: saneamento, limpeza urbana e prevenção também são questões de saúde pública.

