Transmitida principalmente por pernilongos infectados, doença não possui vacina nem tratamento antiviral específico para seres humanos
O Brasil registrou quatro casos confirmados de Febre do Nilo Ocidental em 2026, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde em agosto. Foram dois casos em São Paulo e dois em Santa Catarina, incluindo a morte de uma mulher de 77 anos. Um caso provável também estava sendo investigado no Piauí.
Até esta terça-feira (8), não havia confirmação pública de casos da doença em Niterói ou no Estado do Rio de Janeiro.
A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Como acontece a transmissão
O vírus é transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex, conhecidos como pernilongos ou muriçocas.
Algumas espécies de aves silvestres são hospedeiras naturais do vírus. O mosquito se infecta ao picar uma ave contaminada e pode transmitir a doença posteriormente para seres humanos, cavalos e outros mamíferos.
Humanos e cavalos são considerados hospedeiros acidentais e terminais. Isso significa que apresentam o vírus no sangue por pouco tempo e em quantidade insuficiente para infectar novos mosquitos.
A doença não passa pelo contato comum entre pessoas. Formas mais raras de transmissão já foram registradas por transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e durante a gestação.
Maioria dos infectados não apresenta sintomas
Aproximadamente 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas. Nos outros 20%, a doença geralmente provoca sinais leves, como:
- Febre de início repentino;
- Mal-estar e fraqueza;
- Falta de apetite;
- Náuseas e vômitos;
- Dor nos olhos;
- Dor de cabeça;
- Dores musculares;
- Manchas na pele;
- Gânglios inchados.
Como os sintomas podem ser confundidos com dengue, febre amarela, zika, leptospirose e outras doenças, o diagnóstico deve ser realizado por profissionais de saúde.
Um em cada 150 infectados pode desenvolver forma grave
Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente um em cada 150 infectados pode desenvolver doença neurológica grave.
As principais complicações são meningite, encefalite e paralisia flácida aguda. Os sinais de alerta incluem:
- Febre acompanhada de confusão mental;
- Forte fraqueza muscular;
- Rigidez no pescoço;
- Tremores;
- Convulsões;
- Perda de equilíbrio;
- Alteração da consciência;
- Dificuldade para movimentar braços ou pernas.
Pessoas com esses sintomas devem procurar atendimento médico imediatamente. Idosos e pessoas com baixa imunidade apresentam maior risco de desenvolver complicações.
Diagnóstico exige exames específicos
O diagnóstico pode ser feito por exames de sangue ou pela análise do líquido cefalorraquidiano, coletado em casos específicos.
O Ministério da Saúde alerta que pacientes recentemente vacinados contra a febre amarela ou infectados por outros vírus, como dengue e zika, podem apresentar reação cruzada nos exames. Por isso, outros testes laboratoriais podem ser necessários para confirmar o resultado.
Não existe vacina para seres humanos
Atualmente, não há vacina recomendada no Brasil nem medicamento antiviral específico contra a Febre do Nilo Ocidental.
O tratamento busca controlar os sintomas e manter o paciente hidratado. Os quadros graves podem exigir internação, suporte respiratório e atendimento em unidade de terapia intensiva.
Como reduzir o risco
A principal forma de prevenção é evitar a picada dos mosquitos. As recomendações incluem:
- Usar repelente;
- Instalar telas em portas e janelas;
- Usar roupas que protejam braços e pernas;
- Evitar exposição aos mosquitos ao amanhecer e ao entardecer;
- Eliminar recipientes que possam acumular água;
- Manter caixas-d’água bem fechadas;
- Não despejar lixo em valas, córregos, rios e terrenos;
- Evitar locais com água parada ou falta de saneamento;
- Não manusear animais encontrados mortos.
Os mosquitos do gênero Culex também podem se reproduzir em fossas, rios, lagoas poluídas e locais com água parada rica em matéria orgânica.
Aves e cavalos devem ser monitorados
O adoecimento ou a morte de aves silvestres e cavalos com sintomas neurológicos devem ser comunicados às autoridades de saúde.
Profissionais e moradores podem registrar essas ocorrências pelo aplicativo SISS-Geo, que encaminha as informações aos órgãos responsáveis do Sistema Único de Saúde.
Não há motivo para pânico. No entanto, os casos registrados no país reforçam a importância da vigilância e das medidas de proteção contra os mosquitos.
O Niterói Agora continuará acompanhando os boletins das autoridades de saúde para verificar qualquer possível ocorrência no município ou no Estado do Rio.
Fonte: Ministério da Saúde, secretarias estaduais de Saúde de São Paulo e Santa Catarina.
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