
Por Redação | Niterói Agora
Um relatório da Justiça, obtido com exclusividade pela reportagem, aponta que Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa do traficante Marcinho VP, teria atuado na administração, ocultação e movimentação de patrimônio que os investigadores atribuem ao Comando Vermelho.
Segundo o documento, a investigação descreve um suposto esquema de lavagem de dinheiro que envolveria a compra de imóveis de alto valor, aquisição de fazendas para blindagem patrimonial, movimentação de grandes quantias em dinheiro em espécie, utilização de testas de ferro e operadores financeiros, além de pagamentos realizados por integrantes da cúpula da organização criminosa.
De acordo com o relatório, entre 2022 e 2023, Márcia teria adquirido um imóvel avaliado em aproximadamente R$ 1,3 milhão junto ao estabelecimento comercial Casa de Vidro. Ainda conforme os investigadores, embora ela recebesse os aluguéis do imóvel, o bem teria sido registrado em nome de um terceiro com o objetivo de dificultar o rastreamento patrimonial e ocultar a origem dos recursos.
A investigação também aponta que Márcia administraria quitinetes localizadas no Complexo da Penha, que, segundo o relatório, teriam sido construídas com recursos provenientes do tráfico de drogas. O documento afirma ainda que ela teria adquirido propriedades rurais em Araruama e Iguaba Grande, que, de acordo com os investigadores, seriam utilizadas para blindagem patrimonial.
Outro ponto destacado no relatório é que Márcia teria recebido grandes quantias em dinheiro vivo de traficantes identificados pelos apelidos de Doca, Pezão e 2D. Conversas interceptadas pela investigação registrariam mensagens como “manda o D2 entregar” e “vê quando o P vai mandar”, interpretadas pelos investigadores como referência a repasses financeiros.
Segundo o documento, ela também determinaria depósitos em espécie para aquisição de imóveis, pagamentos via PIX, transferências bancárias e outras operações realizadas por pessoas apontadas como testas de ferro. A investigação sustenta ainda que operadores financeiros eram utilizados para quitar contas, movimentar recursos e administrar valores destinados aos filhos do casal.
O relatório afirma ainda que Márcia teria solicitado que integrantes da liderança operacional do Comando Vermelho realizassem depósitos diretamente na conta de Marcinho VP, atualmente preso em uma penitenciária federal.
A investigação também cita despesas pessoais consideradas incompatíveis com a renda declarada, entre elas um chá de bebê que teria custado cerca de R$ 8 mil, a compra de móveis superior a R$ 20 mil, o pagamento de aproximadamente R$ 10 mil em faturas de cartão de crédito e repasses mensais de R$ 3 mil destinados a Marcinho VP.
Como resultado da apuração, a Justiça determinou medidas cautelares contra Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, proibindo-a de frequentar comunidades dominadas pelo Comando Vermelho e de visitar o presídio federal onde o marido cumpre pena.
Até o momento da publicação desta reportagem, a defesa de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno não havia se manifestado sobre as acusações constantes do relatório judicial. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
Fonte: Relatório judicial e documentos da investigação.
Niterói Agora – Comunicação Comunitária de Verdade.
